Quem disse que seria fácil!? Os primeiros 15 dias pós parto.


Eu nunca imaginei que um dos momentos marcantes da maternidade fosse a hora de sair do hospital.
A montanha russa dos hormônios começou ali, na hora de ir embora, com um baita chororô (que se estendeu por mais uns 15 dias), mas o mais forte foi o que o obstetra falou na hora da alta: “toma que o filho é seu”.
Muito natural e óbvio né!? Mas pra mim foi impactante ouvir aquilo, mesmo que na hora não tenha conseguido perceber com clareza o que ele queria com aquela frase.
Ele me contou, um mês depois, em meu retorno no seu consultório, quando comentei que aquela frase tinha sido marcante: ” era pra cortar o SEU cordão umbilical comigo, você mudou de papel naquele momento e precisava tomar consciência disso, o seu bebê iria te solicitar pra tudo e pra sempre, e a partir daquele momento era tudo com você”.
Era isso mesmo. E o que ele falou veio com toda a carga que isso tem: honrar com responsabilidade, tempo, amor e todos os cuidados que essa nova vida, esse serzinho, que eu desejei e pedi pra existir, necessitaria.
Já que é assim, então vamos lá: cheguei em casa e comecei a experimentar tudo o que eu já tinha ouvido falar, mas que fica muito distante da vivência efetiva de tudo.
Os cuidados com um recém nascido até que são ok, mas o dia a dia, ou melhor, as noites talvez sejam o mais difícil. A função única de mãe, cuidar do seu bebê, por si só é desgastante.

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Toda e qualquer coisa que se faça tem como finalidade o bem estar do seu filho, inclusive passar horas acordada seja porque ele não mamou o suficiente ou porque regurgitou e molhou toda a roupa ou até porque ainda não arrotou e você está com medo que ele regurgite e engasgue enquanto você “já” voltou pra sua cama! E isso mesmo a Aimée sendo uma criança extremamente tranquila.

E de tudo, o mais difícil são os hormônios e não dormir direito. Deixa a gente meio crazy e muito cansada.
O corpo dá outro grito. Os seios doem demais até “calejar”, coisa que até acontecer, por volta de 15 dias, não dá pra acreditar que vai passar, tamanha é a dor que isso causa. A minha sensação era de lâminas fazendo cortes no bico do peito.
O inchaço e a dor em volta do corte da cesárea também incomodam demais e junta-se a isso os hormônios dando um looping lá dentro. “Tipo parece” que nunca vai passar, argh. Mas passa e tudo começa a valer a pena.
No 3o dia da saída da maternidade, já em casa, chegaram minha cunhada e minha sogra e eu não consegui disfarçar, olhei pra elas e abri o berreiro! Eu estava mal, acabada! Com dor na barriga, nos seios, inchaço nos pés e pernas e minha cabeça parecia uma figura de desenho animado com as estrelinhas em volta e os olhos revirados de tanto stress dos hormônios.
De qualquer forma eu conseguia olhar com um certo distanciamento e entender que aquilo era hormonal, e isso me tranqüilizava, saber que não estava ficando louca,rs.
Não é fácil, quem não passou por isso tem que saber pra não se desesperar e saber que acontece com todo mundo, que vai passar, e que essa é a única certeza.
E aí, passados os primeiros 15 dias, você percebe que chegou um momento da vida que o motivo da sua comemoração é por um arroto, um pum e um cocô e que um bebezinho roubou seu coração!
Seja bem vinda mamãe!

 

One Comment

  1. Fernanda

    No primeiro mês, eu queria me matar. Estressada, chorei mais que durante a minha vida inteira. Não entendia nada. E nem cogitava hormônios. Eu era uma péssima mãe. Óbvio. Todo mundo vai me julgar, me achar péssima. Não contei pra ninguém. Quando perguntavam, “to cansada, mas ela é um amor!!! Estamos bem, graças a Deus!”. Mentira. Eu não estava.
    Eu fiquei exaaaaausta. E não entendia porque raios eu não estava feliz!!! Minha filha nasceu, estava ali comigo… e eu só sabia chorar, me desesperar. Torcia pra que minha mãe chegasse e me falasse “Filha, vou levar a Malu comigo hoje… amanhã trago de volta, ok?”. Mas isso não aconteceu. Até mesmo porque, a Malu mamava de 2 em 2 horas. mantendo esse ritmo de madrugada… Como ia ficar longe do seu leitinho? Mas era meu sonho passar 24 horas DORMINDO.
    Eu ficava que nem uma sonâmbula em casa. Sem dormir, vagando chorando com ela no colo e me perguntando: “quando isso vai passar????”. Mas passou, como já comentei em outro post de vocês. O amor transbordou. Depois de algumas semanas, mais precisamente 1 mês e meio, tudo se ajeitou.
    Depois que essa fase passou, conversei com diversas mães e, para a minha feliz surpresa, todas passaram por isso. Quase esganei algumas delas: “Por que não me contou antes??? Teria sido tão mais fácil pra mim saber que eu não era a única a sentir aquilo…!!!”.
    Bjo, Carol e família! 🙂

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